No festival, Circuito Carioca de Esquetes de 2003 participei com "O Amor é Ilusão" que causou muita polêmica desde os ensaios. Pois era um drama rasgado, aquela coisa do exagero ao extremo. Aprendi muito com essa experiência única, pois quando escrevi, imaginei uma coisa e o diretor outra. Houve um conflito enorme, e isso é bom, pois quando acontece, ocorre plot!
Esse era o final, mas foi modificado pela minha querida equipe!
Entram vozes em off.
- Um abraço de urso...Mata...Ata
- O amor é ilusão...Pura invenção... Da nossa imaginação...
- Tesão...Tudo em vão...
- Em uma fração de segundos...tudo acaba... E você vaga...
- Por não ter razão... Não tem dimensão...
- O amor é ilusão...
O desfecho foi outro, veja o relato de uma das atrizes!
Oh Lara!*
Oh Úrsula!
"Uma vez entrei em cena tão confiante que esqueci o texto, era uma história triste onde minha personagem teria ficado viúva antes de subir ao altar, a assassina uma prima lésbica que amava e fazia de tudo para afastar os possíveis concorrentes. O texto era cruel demais para a fase que estava passando, os personagens não se encaixavam com os perfis, eu toda sarada usando um vestido de noiva e tendo que fazer pose de coitada desprotegida enquanto a atriz que fazia minha prima vilã, uma garota com cara de princesa de contos infantis.Nessa época eu estava sob efeito de anabolizantes, resolvi entrar nessa furada para ter um corpo perfeito e conquistar o papel dos sonhos em um programa famoso da televisão.Sempre nos ensaios tentávamos convencer a autora a mudar o texto para uma comédia rasgada, seria mais conveniente, porem ela não abria mão de realizar sua tragédia. Ela não queria enxergar a realidade que eu jamais poderia interpretar uma patricinha apaixonada com esse biótipo atual, minha voz estava grossa e falhava e as vezes sumia completamente quando gritava e todos os gestos eram brutos e grandiosos, impossível ver tristeza nisso.Estávamos todos tensos por causa da minha voz, com medo de realmente ela sumir de vez, o ar condicionado do teatro piorava ainda mais minha situação.A campainha tocou, era a tão esperada hora e quando entramos em cena olhei para a platéia e lá estava ela, nossa autora querida com ar de insegurança observando de longe para tudo dar certo. Eu arrastava uma ursa de pelúcia gigante que tinha um laçarote rosa no meio de suas orelhas de abano, percebi que algumas pessoas esperavam acontecer algo surpreendente no meio da trama, os primeiro minutos deram sono total, foi quando me desesperei ao ver um dos maiores críticos de teatro na primeira fila, não deu em outra, em um ato de surto comecei a rasgar meu lindo vestido branco até sobrar apenas um espartilho e botas de cano longo, corria incansavelmente de um lado para outro trocando olhares com as pessoas que estavam com um ar de “agora sim o preço do ingresso valeu!”Não satisfeita, sentei no colo do crítico, arremessei a cinta liga na cabeça da autora e esqueci completamente o texto seguinte. O diretor entrou em cena incorporando um personagem e deu um tapa na minha cara, em seguida a outra atriz repetiu o ato, nesse momento um grande espetáculo estava nascendo.A história continuou a mesma, porem todas as características foram mudadas, de indefesa e depressiva minha personagem passou a ser uma atriz burra, gostosona e adorável, enquanto a prima má se tornava uma vilã atrapalhada e derrotada.Fizemos um encontro casual entre Shakespeare e Jack, o estripador e no final ganhamos um contrato de um ano de peça em cartaz.Enquanto trocava de roupa no camarim o tal crítico esperava para nos cumprimentar, deixei ele esperando um bom tempo, aquele momento era único, isso daria mais valor a minha pessoa, afinal todo brasileiro que se preze no fundo adora uma fila.Fui recebida na saída com muitos aplausos e uma enxurrada de flashes, glorioso para alguém que estava morrendo de medo de entrar em cena.Eu queria mais, queria que todos me conhecessem, não iria morrer assim em branco e não poderia ficar mudando roteiros por vontade própria, esse episódio foi pura sorte.O que estou tentando falar é que na vida precisamos de uma cabeça muito tranqüila para realizarmos certos riscos, algumas pessoas encontram sua base na bebida, outras nas drogas e a minoria na autoconfiança, temos fraquezas, somos reais e não personagens que encontram finais felizes a todo instante". Por Minha querida amiga atriz
quarta-feira, 10 de junho de 2009
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